[GTER] Associação Comercial é acusada de fraudar pesquisa online

Giordani Rodrigues giordani em infoguerra.com.br
Terça Fevereiro 25 19:29:00 BRT 2003


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Associação Comercial é acusada de fraudar pesquisa online 

25/2/2003 - 13:53 Giordani Rodrigues 

"A Associação Comercial deve ser responsabilizada por nome lançado indevidamente no SPC?". Esta simples pergunta se tornou o estopim de um imbróglio envolvendo o site Consultor Jurídico (Conjur) e a Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O Conjur acusa a Associação de ter fraudado uma pesquisa online com este tema, posta no ar na semana passada. A ACSP nega, mas admite que dezenas de funcionários votaram a favor da entidade.

De acordo com uma nota publicada pelo site, a centenária associação paulistana teria usado um programa-robô (bot) capaz de burlar o sistema de proteção que impede mais de um voto do mesmo usuário e que tinha sido "instruído para a tarefa de ficar votando seguidamente na alternativa 'não' da pesquisa". A artimanha fez com que o resultado fosse completamente subvertido, segundo as acusações do Conjur. 

O site informa que, nas primeiras horas depois que a enquete foi ao ar, cerca de 500 leitores, representando 85% dos votantes, marcaram a alternativa "sim", mostrando seu desejo de responsabilizar a Associação Comercial pelo lançamento indevido de nomes de consumidores no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Mas entre quinta-feira e sexta-feira da semana passada (dias 20 e 21 de fevereiro), "mais de 19.500 votos falsos foram registrados na pesquisa, projetando a idéia de que as associações comerciais, assim como os deficientes mentais, são juridicamente inimputáveis por seus atos", afirma a nota. 

Ocorre que o endereço IP dos votantes fica registrado, o que permitiu a identificação da origem da fraude. O registro das atividades, ao qual InfoGuerra teve acesso, mostra que um mesmo IP pertencente à ACSP aparece milhares de vezes no relatório da pesquisa. O Conjur levou o caso à Polícia Civil de São Paulo, registrando um boletim de ocorrência e acionando a Delegacia de Crimes de Informática.

Por telefone, o superintendente-geral da ACSP, Márcio Aranha, deu outra explicação para o episódio. Ele afirma que funcionários da associação ligados ao setor de SPC resolveram votar na pesquisa, fazendo com que o IP da entidade aparecesse repetidas vezes no relatório. No entanto, nega veementemente o uso de qualquer software ou tentativa de fraudar o resultado da enquete. "No máximo, o endereço da Associação apareceria cerca de 90 vezes no registro, pois esse é o número de funcionários que temos no setor de SPC", afirma. "Mesmo assim, acho pouco provável que todos eles tenham votado". 

Aranha também descarta a possibilidade de que os funcionários tenham votado mais de uma vez, supondo justamente a existência de um sistema de segurança que impediria tal atitude.

O superintendente disse ainda que são os associados da ACSP, isto é, os comerciantes, que lançam o nome dos maus pagadores no cadastro do SPC, e não a entidade. Ele admite que ocorrem erros neste processo, mas afirma que a Justiça tem eximido a ACSP da responsabilidade pelos lançamentos errados. Ele não quis comentar sobre a abertura de um boletim de ocorrência, pois disse que não havia sido intimado pela delegacia.

A pesquisa do Conjur, apesar de já não ter mais validade, ainda pode ser vista online. Segundo a nota publicada no site, a enquete será mantida no ar por mais algum tempo, para que os autores da fraude "possam refletir a respeito do tipo de ganho que se pode obter com iniciativas desse gênero". 



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